Quem busca saúde adere dietas desintoxicantes que limpam o corpo de dentro para fora e são verdadeiras fontes da juventude.
Não há nada como tomar banho. Deixar a água correr sobre os ombros, levando embora a sujeira e as angústias do mundo. Esse banho todo mundo toma. Mas e se fosse possível experimentar um banho interno? Limpar do avesso, ensaboar o corpo por dentro?
Todos os dias um cidadão médio ingere quantidades abusivas de veneno. E os vilões não são apenas aqueles alimentos que todo mundo condena, como sal, açúcar, álcool e gorduras. O ar das cidades, o cloro da água tratada, os resíduos de produtos, as crenças negativas, o estresse, as atitudes impensadas, as horas maldormidas, são todos fatores capazes de poluir nossos corpos e mentes.
Todo mundo costuma pecar por excesso, ingerindo alimentos nocivos. Como não há como determinar a quantidade limite que um organismo suporta dos alimentos mais condenados (os já citados sal, açúcar, álcool e gorduras), o ideal é ter como hábito a ingestão do mínimo possível. Porque cada corpo é um corpo. “Os atletas precisam de muito mais carboidrato que um intelectual, que precisa de proteínas, como sementes e peixes”, diz a química Conceição Trucom, que escreve sobre temas voltados à alimentação natural.
O grande problema é que mesmo quem come direitinho acaba se intoxicando. Uma pesquisa realizada pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sini tox) em 2008 identificou quantidades altamente nocivas de agrotóxicos em praticamente todos os alimentos analisados, entre frutas e verduras. Para piorar, hoje, os produtos orgânicos correspondem a somente 1% do faturamento total dos supermercados no Brasil e chegam à mesa de apenas 9% da população.
Limpeza geral A medicina chinesa e a indiana preconizam a alimentação purificante como um hábito cotidiano, e que também pode ser aplicada como medida paliativa para a cura de alguma enfermidade. Meditação e limpeza do corpo como um todo são práticas que devem ser adotadas também. Mas aqui, no Ocidente, duas formas mais recorrentes de alimentação desintoxicante se propõem a equilibrar nossos organismos. São elas as baseadas em frutas e vegetais crus e as monodietas curativas, que tratam o corpo através de um só alimento, como as do arroz integral e do inhame. Mas, vale o alerta : “As dietas desintoxicantes podem ser prejudiciais quando as pessoas a adotam e não param mais. Em 15 dias, pela carência de nutrientes, a pessoa pode se sentir fraca, ter dor de cabeça, dermatite. É fundamental a avaliação de um profissional”.
Com uma visão mais ampla do que significa comer, ela explica: “É preciso nutrir-se de energia telúrica, a energia da terra. Por isso é preciso comer raízes, sementes e fibras, que dão sustentação, além das frutas”. Conhecida por causa de suas receitas de sucos revigorantes, as dicas que ela dá vêm mudando a vida de muita gente. Como a de Jane Susie, que há três anos adotou a ingestão diária de alimentos crus e sarou de uma série de doenças. “Eu fazia fisioterapia para aliviar dores no cotovelo e com uma semana ingerindo um suco de maçã, ervas, cenoura e girassol, as dores sumiram. Com a mudança de toda minha alimentação, o resto mudou por completo: azia, prisão de ventre, rinite, minha pele ficou muito macia, sem espinhas. Fiquei com o coração mais aberto, sentindo uma alegria interna”, diz Jane.
Algumas comidas curam, outras condenam o metabolismo. Inúmeras enfermidades estão associadas aos vários tipos de alimentos. Assim como o sal é proibitivo para quem sofre de problemas cardiovasculares e o açúcar é fatal para o diabético, doenças crônicas e prosaicas, como a asma, vêm se mostrando diretamente relacionadas ao consumo de determinados produtos, ainda que naturais, como leites e derivados. Daí ficamos doentes. O passo seguinte é consumir remédios para neutralizar a ação da doença, mas, como afirma Conceição Trucom, esse é um caminho perigoso: “A doença nos indica que algo está errado. Deveríamos enxergá-la não como uma inimiga que deve ser combatida, mas sim como uma amiga sincera, que tem coragem de nos dizer que alguma coisa está errada”. E, quando a doença aparece, é hora de entender a quais fatores ela está relacionada e fazer uma investigação minuciosa da alimentação.
Artigo original: Júlia Priolli, Revista Vida Simples
http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/091/comer/conteudo_545447.shtml